EDNART GOMES EAD SENAR
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O Folclore de Fonte Boa

A HISTÓRIA DO FESTIVAL FOLCLÓRICO DE FONTE BOA

 

 “Quando junho se aproxima, lá vem ela, toda faceira, com seus vestuários rendados e rodados, seus chapéus de palha e seu jeito encantado, `puxando` a quadrilha, a ciranda, as danças de pássaros, mostrando os bumbás e outras danças regionais”.

 A princesa do folclore caboclo é brilhante, encanta o dia, à noite, é fascinante.

  Não perde nem pra caipirão, quando mostra sua dança, seu bailado, ganha todo coração. Fonte Boa é assim. Expressão cabocla de um folclore que não tem mais fim”

 Muito antes de se criar o Festival Folclórico, já havia uma grande quantidade de cordões folclóricos. Sendo que esses cordões eram organizados pelas escolas e por pessoas da comunidade. Cada escola apresentava suas danças nas próprias escolas. Era a chamada festa junina. Umas escolhiam a data de Santo Antonio, outras, a data de São João e, outras ainda, o dia de São Pedro e São Paulo ou São Maçal. Faziam-se grandes fogueiras. Havia quermesse nas escolas para angariar fundos para a própria escola. Cobravam-se entrada para quem quisesse assistir às brincadeiras, como eram chamadas. Cordões folclóricos famosos como a dança do Tangará, a dança do Beija-flor, a dança do Barqueiro, a Caninha- verde, a Dança da Garça e outras, ficaram eternas nas mentes dos fonteboenses. Há de se lamentar que essas danças foram extintas das apresentações do festival. Mas em contrapartida, outras surgiram como o Cangaço, a Dança Portuguesa, a Dança Afro-américa, o Gambá e outras.

Como já foi mencionada, a dança não tinham um local certo para se apresentar. Em conseqüência disso, os professores Pedro André Filho, Humberto Ferreira Lisboa, Graça Affonso, Graça André, Terezinha Braga e outros, resolveram reunir as apresentações das danças em um único local. Para isso, apresentaram seu projeto ao Prefeito, o senhor Francisco Pereira de Souza, que é um amante da cultura fonteboense, o qual gostou da idéia e mandou construir a quadra da Escola Estadual São José para as apresentações dos cordões folclóricos. O ano era 1980. Aí surgia o 1º Festival Folclórico de Fonte Boa. A data das apresentações desse festival foi 23 e 24 de junho. A partir daí surgia à disputa por título entre as danças.

Dois anos depois, as apresentações do Festival Folclórico foram transferidas para a quadra de esportes Francisco Camelo Cavalcante, que foi palco de apresentações até o ano de 2003. Neste mesmo ano, os bumbás Tira-prosa e Corajoso já se apresentaram no Centro de Convenções de Fonte Boa (Bumbódromo). Este centro ainda estava em construção. Havia apenas uma pista, seis arquibancadas laterais para as duas torcidas e camarotes, todos feitos de madeira de açacu.

As apresentações do XXIV Festival Folclórico de Fonte Boa (2003) foram organizadas da seguinte forma:

Cordões folclóricos – Danças e quadrilhas:

Dia 20/06/2003 – apresentações dos cordões folclóricos infantis.

Dia 21/06/2003 – apresentações dos cordões folclóricos adultos.

Dia 23 e 24/06/ – apresentação final dos três classificados das noites anteriores.

Os bumbás Tira-prosa e Corajoso:

Dia 28/06/2003 – Corajoso e Tira-prosa.

Dia 29/06/2003 – Festa dos visitantes. Divulgação das danças classificadas.

                             Concurso da escolha da rainha caipira do festival.

Dia 30/06/2003 – Tira-prosa e Corajoso.

Portanto, pode-se afirmar que a cultura do povo fonteboense corre em suas veias e invade sua alma. A conclusão disso é que Fonte Boa apresenta o segundo melhor Festival Folclórico do Amazonas e o primeiro da Calha do Solimões. Esse feito se deve a cada fonteboense que nos meses de abril, maio e junho se dedica de corpo e alma à cultura.

AS ORIGENS DOS BUMBÁS DE FONTE BOA

Os bumbás de Fonte Boa, assim como a maioria das manifestações folclóricas do país, originaram-se dos vários sincretismos culturais que aqui ocorreram, ou seja, a grande diversidade de povos (indígenas, nordestinos, negros, etc.) que se estabeleceram nesta terra, propiciando a fusão de diversos elementos de suas diferentes culturas e deram origem a esta singular forma de manifestação folclórica feita pelo e para o povo. A verdade é que esse folguedo oriundo do Maranhão, é tão antigo em Fonte Boa quanto nas demais localidades que também celebram esta manifestação popular.

Nos primórdios de sua criação, as brincadeiras dos bumbás de Fonte Boas foram escritas nas ruas da cidade na segunda metade do século XX. O primeiro bumba chamava-se Estrelinha e foi criado em 1922 pelo senhor Lúcio Guimarães. No ano de 1935, surgiu o segundo bumba, o Brilho- dia que foi criado pelo senhor Damásio, um maranhense. Em 1940, o senhor Damásio cria o seu segundo bumba, o Pingo-de-ouro. No ano de 1953, o senhor Severo da Costa Leite (Dandã) criou o bumba Mina-de-ouro. Finalmente, no ano de 1958, o senhor Dandã, juntamente com o senhor Sebastião de Oliveira  (Tinho) criaram o bumba Tira-prosa.

Após a morte do senhor Dandã, o boi bumba Tira-prosa ficou sob a responsabilidade do senhor João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino) e seus irmãos. Por muitos anos participaram como protagonista desse bumba os senhores: João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino) como Amo do boi, senhor Raimundo de Oliveira (Cravo) como Rapaz, Senhor Sebastião de Oliveira (Tinho)  como Vaqueiro, o senhor Onofre da Costa Oliveira (Arigó) como Miolo do boi, senhor Milton da Costa Oliveira como Tamborista, senhor Diamantino Antonio Correa Antunes (Dió) como Dona Maria, senhor Danilo Fernandes Caresto como Doutor, senhor Arnaldo Nogueira de Lima (Nenoca) como Padre, os senhores Américo Sampaio (Pirarara) , Jorge Lins, Raimundo Azumar Carneiro (Toá), Lourival Diniz e outros como Pai Francisco, Cazumbá e Catirina.

O boi bumba Tira-prosa ficou sob a responsabilidade da família Oliveira até o falecimento do senhor João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino) em 1990.

 Fonte Boa tem muito que agradecer a este senhor, especialmente a galera vermelha e branca, por seu dinamismo, sua disponibilidade e incentivo à cultura fonteboense.

Os bumbás acima mencionados, com cerca de 30 brincantes, saíam às ruas, brincavam de casa em casa, iluminados por suas lamparinas e belos versos de seus poetas, os amos.

Durante as suas apresentações encenavam o auto do boi, ou seja, o bumba era apresentado ao dono da casa, em seguida havia a morte e por último a ressurreição e a despedida. Era mais ou menos assim:

O bumba com seus personagens saíam do curral ou maromba, como era chamado, para dançar em determinadas casas. Todo o povo os acompanhava, com músicas do tipo:”Hei de lá, hei de cá, oh Maria vou te levar...”. Primeiramente entravam no terreiro os índios, depois os personagens e por último, o boi, que era saudado pelos presentes com a música “Boa noite povo amazonense, boa noite aqui mais eu cheguei...”. Em seguida, o boi dançava no terreiro ao som de belíssimas músicas que se eternizaram na mente do fonteboense. Eis algumas:

-         “Oh lua, que tanto brilha, que ilumina quase o mundo inteiro...”.

-         “Vem vê, morena, vem vê, vem vê qual é o maior. Venha ver boi Tira-prosa, oh morena, que este ano é o melhor”.

-         “Rola, rola, rola boi/ rola boi bumba. Rola que eu mandei rolar, rola boi bumba”.

-         Xô passarinho, meu gavião totoriá/ oh vaqueiro pega na vara está na hora de matar”.

Com esta última toada, Pai Francisco matava o boi, para atender ao pedido de

Catirina que estava grávida e desejava comer a língua do boi. O amo, que era o dono do novilho, ia ter com Pai Francisco. Ordenava ao velho Chico que queria o seu boi vivinho, a qualquer custo. Pai Francisco não tinha outra alternativa, senão vender a língua do boi ao dono da casa e aos presentes para assim, pagar o doutor que poderia ressuscitar o boi. Com o dinheiro na mão, Pai Francisco o doutor. Este, aplicava todo o seu conhecimento de medicina, mas o caso era sem solução. Velho Chico já angustiado, e sem saber o que fazer, apelava para os poderes do velho curandeiro, o pajé, que na época era chamado de Diretor dos índios. Este, com seus poderes e magia ressuscitava o boi. O primeiro sinal de vida era expresso por um forte urro. Em seguida o boi se levantava e começava a dançar novamente. Faziam a despedida daquela casa com a toada: “Eu tava na beira da praia, quando o meu boi embarcou/ foi a prenda mais bonita que as ondas do mar levou/ adeus, adeus  que já vou, pois despedida quem vai sou eu”. Despedia-se daquela casa e iam dançar em outra. Seguia-se o mesmo ritual.

Um dos fatos mais importantes ou curiosos era a matança do boi, a festa de encerramento das apresentações do bumba daquele ano, que ocorria sempre no mês de julho. Como isso se dava? Tudo acontecia da seguinte forma:

Escolhiam uma data para esse acontecimento. Um ou dois dias antes, o boi era escondido na mata pelo amo, o miolo e o vaqueiro. Melavam todo o boi com lama e cobriam o seu corpo com samambaia. Nem a cabeça e os chifres escapavam da lama. Na data combinada, todos saíam à sua procura com bebidas e foguetes. Aquele que o encontrasse, tratava logo de soltar o foguete, era o sinal de que o haviam encontrado. Isso acontecia mais ou menos às 16 horas. Em seguida, o boi e alguns personagens saíam às ruas da cidade, fazendo a despedida do boi com a música: “Cheguei, cheguei, cheguei/ cheguei do Piauí/ apareça nos meus olhos/ que eu quero me despedir...”.  A essa altura, o boi estava bravíssimo, porque o vaqueiro tentava laçá-lo para levar ao curral. Todo o povo tinha muito medo. Finalmente o vaqueiro conseguia laçar o animal e o conduzia até o curral. Chegando neste local, o boi era abatido com um tiro de espingarda, o cartucho era carregado apenas com espoleta e pólvora, e depois sangrado. Sua morte era comemorada com muito vinho, que simbolizava o sangue do boi.

Encerravam-se, portanto, as apresentações do bumbá daquele ano com muita festa.

Eis uma pergunta muito curiosa: Quem mantinha a brincadeira de boi? A paixão de seus donos e as pessoas que compravam a língua do boi, pagando para a apresentação em frente as suas casas.

O nosso boi de rua tinha os seguintes personagens: o Boi, Amo, Pai Francisco, Catirina, Cazumbá, Vaqueiro, Padre, Dona Maria, Diretor dos índios, Doutor, os Índios, Miolo, Rapaz e o Tamborista.

Os materiais para a confecção do boi, acessórios e fantasias dos brincantes eram os seguintes: O tambor era feito de toras de madeira ocada, depois plainada, e por último era pregado couro de boi, couro de preguiça, couro de porquinho ou veado. Para afinar, esquentavam no fogo ou deixavam o tambor exposto ao sol. O boi era confeccionado com madeira, cipós, capim ou samambaia e era coberto com cetim. A cabeça era feita de madeira e o chifre era pregado. Era usado chifre mesmo! Para o enfeite ou decoração, eram usados algodões, papel brilhosos (geralmente retirado de carteiras de cigarro), grude de goma e papel de seda colorido. Para os enfeites dos índios eram usados penas de garça, arara, gavião, papelão e outros. As roupas do amo, rapaz e vaqueiro eram feitas de cetim ou seda. Os chapéus eram de carnaúba e enfeitados com espelhinhos, algodão, papel brilhoso e muitas fitas coloridas. Eram colados com grude de goma. Pai Francisco, Catirina e Cazumbá usavam roupas velhas e uma máscara para não serem identificados. A Dona Maria, geralmente era um homem e este se vestia com roupas femininas do tipo saia e blusinha. Na cabeça usava uma barquinha toda enfeitada com papel de seda e papel brilhoso. O Doutor usava paletó e gravata, e o Padre, batina.

Já nos anos 70, a família Oliveira, desestimulada por falta de recursos e incentivo à cultura, não colocou mais o bumba nas ruas. Mesmo assim, algumas pessoas como o jovem Moaca e outros, faziam seus boizinhos e apresentavam nas ruas da cidade.

A era dos bumbás de rua e terreiro, especificamente o Tira-prosa, tem seu final na década de 70.

Em 1997, o boi bumbá Tira-prosa fez uma homenagem a um de seus fundadores, o senhor Dandã, com uma toada intitulada: Mestre Dandã!, composição de Dr. Wilson Lisboa e Tiago Lisboa.

Ele viveu há muito tempo

Era de outros festivais

Poucos aqui o conheceram

Ele era mestre e alguma coisa a mais.

Quando chegava o mês de junho

Homenageava São João

Com tambores de pele curtida

Fazia suas próprias toadas

E assim nossa cidade se encantava.

Quem lembra teu nome,

Quem lembra teu canto Dandã

Maestro do meu povo

Me faz feliz de novo!

                                                  O BOI DE ESCOLA

No início dos anos 80, a Escola Estadual São José, através da professora Jesuete Pacheco Brandão, natural de Parintins, colocou o boi bumba Banho-de-ouro, cujas cores eram amarelo e preto.

Foi uma espécie de inovação na apresentação da brincadeira de boi. Já não havia mais o auto do boi, ou seja, a morte e ressurreição. Novos personagens foram introduzidos como: rainhas, tuxauas, tribos, toureiras, sereia, as bailarinas, saci, Iemanjá e outros.

No ano de 1983, a então Diretora da Escola Estadual Waldemarina Ferreira, professora Jany Ferreira Lins, organizou, juntamente com a professora Jesuete Pacheco Brandão e outros, o boi bumba Garantido. Este disputou com o boi bumba Banho-de-ouro da Escola Estadual São José. Foi campeão o primeiro. Em 1984, houve a mesma disputa e foi campeão o boi da Escola Estadual São José.

Em 1988, a Escola Estadual Waldemarina Ferreira organizou sua festa junina no pátio da própria escola. Para essa festa foram construídos arquibancadas e um tablado (palco) para as apresentações das danças. Nesse ano a escola foi responsável pela apresentação do boi bumba Tira-prosa. O mesmo foi organizado pelos professores Dorgival Lisboa, Humberto Lisboa, Sebastião Lima, Pedro André e outros. Não houve disputa porque só se apresentou esse boi.

No ano de 1990, o então diretor da Escola Estadual Armando Mendes, professor Francisco das Chagas Fernandes de Freitas, juntamente com os professores daquela escola, criaram o boi bumba Caprichoso nas cores azul e branco. Não houve disputa entre bumbás porque só se apresentou esse boi. Este disputou com o cordão folclórico Caipirão da senhora Creuza Lisboa. Foi campeão o Caprichoso na categoria de melhor dança.

Em 1991, a Escola Estadual Waldemarina Ferreira, sob a direção da senhora Isabel Avelino Gomes, juntamente com os professores e alunos daquela escola organizaram o boi bumba Tira-prosa, que disputou com o Caprichoso da Escola Estadual Armando Mendes. Saiu vencedor o último.

Durante 12 anos, as escolas de nossa cidade tiveram a responsabilidade de manter viva a tradição do que hoje é a maior manifestação e expressão cultural do  município de Fonte Boa: a festa do boi.

                     A DISPUTA EM FESTIVAIS

A disputa dos bumbás em festivais começa em 1992, quando a senhora Creuza Ferreira Lima cria o boi bumba Garantido nas cores vermelho e branco. A partir desse período, o boi bumba Caprichoso já não pertence mais a escola Estadual Armando Mendes, e sim ao senhor Francisco das Chagas Fernandes de Freitas, seu fundador.

No ano seguinte, 1993, a Comissão Organizadora do bumba vermelho e branco resolveu trocar o nome Garantido para Tira-prosa, mas as cores permaneceram. O bumba azul e branco continuou com o nome Caprichoso, que só foi mudado para Corajoso no Festival de 1995.

O incentivo municipal começa a partir desse ciclo, quando os bumbás se organizam em agremiações, principalmente para poder receber ajuda do poder público e melhorar a estrutura das apresentações e do Festival. Mas a ajuda ainda era incipiente. Não há estimativa exata de quanto custava a apresentação dos bumbás no Festival e nem do número de brincantes. Há quem afirme que ficava entre 100 a 150 brincantes.

O povo já começava a se organizar, principalmente as torcidas. Vários personagens foram introduzidos como: Sinhazinha, Cunhã-poranga, Comissão de frente, Levantador de toadas, Rainha da bateria, porta-estandarte, Pajé, Rainha do folclore e outros.

Não havia ainda um Regulamento específico dos bumbás. Este foi criado em 1997 pelos professores João Coelho e Sebastião Lima. A cada ano o Regulamento é revisado e discutido com os representantes dos bumbás e a Comissão Organizadora do Festival para melhorar as apresentações dos bumbás.

O artigo 25 do Regulamento dos bumbás diz o seguinte: “Serão avaliados 24 quesitos que receberão notas mínimas de 7,0 (sete) e máximas de 10 (dez) pontos cada item. E os quesitos a serem julgados são os seguintes”:

Item 01 – Apresentador do bumbá

-         vestes

-         voz

-         postura

-         ordem de acordo com a sinopse

                  Item 02 – Levantador de toadas

-         vestes

-         interpretação

-         ritmo

-         postura

Item 03 – Bateria

-         fantasia

-         apresentação

-         harmonia

-         evolução

-         conjunto

Item 04 – Rainha da bateria

-         fantasia

-         harmonia

Há muita controvérsia em relação ao resultado de classificação dos bumbás, todavia, para efeito de organização, contamos com os seguintes títulos de campeões:

1992 – Garantido

1993 – Caprichoso

1994 – Só se apresentou o Tira-Prosa

1995 – Corajoso

1996 – Os bumbás não se apresentaram

1997 – Tira-Prosa

1998 – Só se apresentou o Tira-Prosa

1999 – Corajoso

2000 – Corajoso

2001 – Tira-Prosa

2002 – Corajoso

2003 – Corajoso

2004 – Tira-Prosa

Em 2002, as duas agremiações criaram seus Estatutos e tornaram-se empresas com as seguintes denominações:

1.      Associação Folclórica Cultural de Fonte Boa Boi Bumbá Tira-Prosa

CNPJ -  05474239/0001 – 17

Sede provisória: rua Boulevard Álvaro Maia – s/nº - São Francisco I

Presidente: Dr. Alailson Ferreira Lisboa.

2.      Associação Folclórica boi bumbá Corajoso

CNPJ – 05.421.021/0001-02

Sede provisória: rua Barnabé Gomes – s/nº - Cidade Nova

Presidente: Domício José Coelho

            PRESIDENTES DOS BUMBÁS DE FONTE BOA:

                                        TIRA-PROSA

                  

                     1º - Senhor Severo da Costa Leite (Dandã – 1958 – data de sua    

                           fundação)

                     2º - Senhor João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino)

3º - Senhora Creuza Ferreira Lima;

4º - Senhor Sebastião Ferreira Lisboa;

5º - Senhor Dr. Wilson Ferreira Lisboa;

6º - Senhor Tiago Ferreira Lisboa;

7º - Senhor Dr. Alailson Ferreira Lisboa.

                                         CORAJOSO

1º - Senhor Francisco das Chagas Fernandes de Freitas;

2º - Senhora Vanusa Torres Gomes;

3º - Senhor Wallace Lessa Caresto;

4º - Senhor Sílvio Reis Leite;

5º - Senhor Domício José Coelho;

6º - Senhor Wallace Lessa Caresto;

É importante afirmar que na atualidade há um interesse maior dos bumbás por temas relativos ao ambiente e à ecologia em todas as suas apresentações, quer seja em festas com características populares, quer seja no grande espetáculo. A preocupação com o ambiente, seus limites e a não depredação estão sendo trabalhados, embora de maneira tímida, pelos bumbás, por meio de temas das toadas, do reverenciamento aos antepassados indígenas, ou ainda, pela busca do uso de material mais ecológico para os adereços.

Vale a pena ressaltar que o diferencial dos bumbás de Fonte Boa está na exaltação da cultura indígena e cabocla, seus costumes, lendas e rituais, que substituíram o tradicional Auto do Boi.

Está na paixão de seus brincantes e torcedores que dividem a cidade em azul e branco, do Corajoso, e vermelho e branco, do Tira-prosa. Então como definir a paixão que nasce azul ou vermelha?

A resposta pode estar em cada rosto, em cada semblante, na bandeirinha erguida no alto da mais alta árvore da cidade, nos passos firmes do brincante das tribos, no sorriso do apaixonado torcedor, no sonho da menina que quer ser a cunha mais bonita da tribo, na filha que torce pelo Corajoso e no pai que morre de amores pelo Tira-prosa. A paixão vem de berço, não há explicação lógica.

Assim é o fonteboense. Nas arquibancadas fica calado, imóvel, assistindo a apresentação do rival. Na saída do bumbódromo, ele só vê defeitos no adversário: “que boi feio, repetitivo”, “as alegorias mal acabadas”, “se perdeu em tribos”, “ah! a roupa da fulana estava horrível”, “tu viu só a galera deles, não tava com nada, bando de invejosos!”, “a nossa deu um show, a `cabocada´ tava em peso”, “olha, mana, tenho fé em Deus que vamos ser campeões!”. Nessa hora não há quem segure a língua do fonteboense e todo mundo quer ser jurado da festa. E ai de quem discorde, é confusão na certa.

Esse é o fonteboense da gema, caboclo de fé, valente, guerreiro, para ele não há limites, a paixão pelo boi é um sentimento de realização pessoal.

E que mais pode ser dito?

Fonte Boa, sua identidade cultural é uma herança de amor!

COMO SURGIRAM AS CORES DOS BUMBÁS DE FONTE BOA

No ano de 1930, a professora Rita Damasceno do Nascimento, a dona Ritinha, esposa do Delegado de Polícia do Município, organizou a dança da Pastorinha por ocasião das festas natalinas daquele ano.

A brincadeira era organizada em dois cordões, um encarnado e o outro azul. Os objetivos da dança eram exaltar o nascimento de Cristo.

No ano seguinte, a dança ganhou mais adeptos; e assim sucessivamente nos anos subseqüentes, a ponto de dividir a pequenina cidade em dois cordões: o Encarnadista e o Azulista. Já começava aí a rivalidade entre essas duas cores

Essa tendência veio a refletir fortemente em todas as atividades culturais do município, tais como: jogos de futebol, voleibol, handebol e até nas atividades religiosas. No esporte, a rivalidade era maior. A torcida encarnadista não queria perder para a azulista e vice-versa. Então, toda a cidade comparecia em massa aos jogos. Havia até confusões pela defesa da cor preferida. Nas festas religiosas, principalmente nos festejos da padroeira, as duas torcidas tomavam conta do arraial. Organizavam bingos, leilões, apresentavam suas rainhas, etc. A disputa era bastante acirrada. Mas tudo acontecia num clima de muita festa e entretenimento.

Com o crescimento populacional da cidade, esse movimento foi perdendo forças a ponto de ficar adormecido, porém jamais esquecido.

Em 1990, ano de fundação do bumba Corajoso, o cordão azulista desperta de seu profundo sono e se incorpora ao então bumba, dando-lhe realce com as cores azuis e brancas. Em 1992, o bumba Tira-prosa se apresenta defendendo o vermelho e branco, herança do do cordão encarnadista.

Assim surgiram as cores dos bumbás de Fonte Boa. Não foram copiadas de nenhum outro festival. Foram, sim, herdadas de toda uma geração que iniciou nos anos 30 do século passado nesta pequenina cidade.



Texto de SEBASTIÃO FERREIRA LIMA (professor)

 
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